Apreensão, terror, horror, realidade – Cronicando

Grassa intenso frio lá fora, neste instante, por volta dos 12 graus, e isto pude comprovar por um termômetro igual ao que conheci na casa do meu amigo Lamartine Cabral lá em Lins, mas cá dentro do quarto, graças a calefação central, medra o conforto dos 23 graus, já me amolando um pouquinho, o que me levou a abrir levemente a janelado banheiro.

Estava há pouco lendo um dos exemplares da revista Superinteressante, quando me lembrei que nem bem tinha saído de férias e uma amiga querida pespegou lá de Brasília um desafiador “vamos ver que crônicas vão sair destas férias”, obrigando-me fazer um registro que fosse, para responder ao desafio dela, e então, um dos artigos me chamou a atenção e li então o que diversos autores contam sobre a apreensão, o terror, o horror e a realidade, demonstrando principalmente a diferença entre terror e horror, dentro de uma lógica na qual o frentista americano Stephen King, autor de renomados livros, terminou por incluir a repulsa como protagonista conceitual necessário nos eventos registrados em livros ou filmes.

Segundo percebi do pensamento dos autores, a apreensão pode ser representada pela “luz que se apaga”, o terror pela lembrança ou vislumbre da “mão que porta a serra elétrica”, o horror pela “visão da serra elétrica suja de sangue” e a realidade, pela foto da vítima já devidamente repartida, como fizeram com Helena, e a repulsa, apenas o momento no qual a mente ainda divaga aceitando a fantasia e em seguida a repudia, completando aquele círculo vicioso dos adeptos de histórias e filmes deste gênero.

Dizem os autores que este gosto tem até vantagens na medida em que prepara os leitores e assistentes para a realidade da vida, moldando facetas de aceitação e administração de nós humanos face aos problemas doa dia-a-dia, mas para mim, ficou ainda faltando um ingrediente importante a ser estudado, que somente falarei no final.

Ao ler tão letrados opinarem, até que fiquei tentado a escrevinhas sobre o assunto, mas minha vontade foi vencida pela razão em apenas 3 segundos de vida, isto por dois motivos importantes e racionais; o primeiro deles é pelo fato de que abomino o horror e não estou disposto a escrever sobre ele, diante da não existência dele e minha vida. Prefiro em seu lugar, escrever sobre a poesia da filosofia.

Assim eu escreveria exemplificando que a apreensão seria registrada pelo eleitor ao ouvir, por exemplo, na TV de sua residência, ou do falar de algum amigo, que “alguns políticos estão sendo caçados pela Polícia Federal”, o que os levaria a pensarem, apreensivamente, se os seus candidatos estariam no rol de tais caçados. O terror, neste caso, seria retratado pelo aparecimento do nome do seu candidato na lista de prováveis caçados no jornal da manhã. Por outro lado, veria com horror, no jornal da meia noite, o nome do seu político eleito, como partícipe das aratacas que já estavam sendo apuradas, e a repulsa; ah! Deixe a repulsa para lá, pois os eleitores, novamente iriam começar o mesmo ciclo vicioso, tal qual a ocorrida no final do filme de horror, quando todos afirmam: NUNCA MAIS ASSISTO, e novamente, iriam votar naquele mesmo caçado. Bom, o segundo motivo para eu desistir de escrever é que pretenderia propor a leitura, filosoficamente, seguida de uma reflexão, como uma campanha de conscientização, preparando o eleitor para votar melhor, da mesma forma que os autores dizem que os seus horrores preparam o leitor para melhor enfrentar avida moderna; porém, percebi, nestes 3 segundos de decisão, que qualquer editora, ou qualquer leitor, iriam classificar tal livro como mera obra de ficção, dizendo que não retrataria a verdade ou que não teria ocorrido tal situação, outros incluiriam como um romance policial, outros como uma mera história de lenda urbana, mas nunca como uma poética filosofia moral.

Eh! Olhe ao lado! Você percebeu a sombra daquela mão com faca na sua cortina?

Walmir da Rocha Melges – Canela (RS) 28 de junho de 2014, 01h17min

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