Débitos e Créditos – Contabilizando os acontecimentos da vida

Um dia falei ao Prof. Antonio Lopes de Sá, que o saudoso Frei Luca Pacciollo não havia criado nada, quando adotou o sistema das partidas dobradas, mas que ele; religioso que o era; vendo a dualidade da natureza humana e espiritual, apenas valeu-se desta dualidade de débitos e créditos, normalmente entendidos como pontos negativos e pontos positivos por algumas culturas, para firmar a forma de registro que já se denominava como contábil.

Assim o é na nossa vida, quando concedemos créditos, ou recebemos créditos; ficando desta forma com um sistema de conta corrente pessoal que pode e é cobrado pela própria consciência humana individual e coletiva. Digo que sou feliz; aliás, muito feliz, pois no decorrer da minha vida, pude receber créditos e ao mesmo tempo, conceder créditos.

Recebi então, fora do ambiente familiar, muitos créditos; como dos saudosos Raphael Guerreiro com seus valiosos conselhos aos alunos (todos ouviam, cumpriam quem tinha juízo, ou eram sensibilizados); Antonio Samora, que me propôs sociedade naquele escritório que havia assumido pela quebra do seu cunhado; no qual eu iniciei minha vida profissional realmente produtiva; onde entrei sem nada, ainda neófito na profissão, sem nenhum dinheiro que o empréstimo que tomei no Banco Mercantil com o gerente Homero Cândido Diniz (ser humano de boa índole que havia sido meu chefe); Kitisi Iamauti, que, aproveitando minha sede de saber das lides jurídicas, me iniciou nas perícias judiciais e orientou nas muitas viagens em que o acompanhei por muitos cantos; Manoel Cândido Muniz, que se encantou com minha persistência em aprender o melhor direito – ainda na faculdade – e então, como Juiz de Direito, me tornou seu Perito preferido por mais de uma década.

A vida passa, infelizmente, rápida e passageira; mas o que vale são realmente os créditos; não somente aqueles que concedemos, mas principalmente aqueles que tomamos; e então, alguns concedentes, aparecem em nossa vida em momentos importantes; seja com intenções, que nem sempre podemos cumprir, como também em ações concretas; e desta forma, ao aproveitar mais uma oportunidade boa que outro amigo querido me concedeu; sempre com as mesmas qualidades; me vi pensando ao meio dia, que o mero agradecimento que foi manifestado logo de manhã, era pequeno demais, e minha mente, automaticamente me levou a escrever mais, registrando um agradecimento a muitos, que será apenas divulgado a um (representante de peso deste tipo de pessoas que concedem crédito); ou seja a ti.

Lembrei então das boas oportunidades profissionais já concedidas, a do Grupo Garavelo que determinou grandes mudanças profissionais e pessoais; a Casarin, em um momento especial do ponto de vista financeiro; a lembrança para uma possível volta a outra empresa; da qual tenho certeza de que não se realizou por dois motivos, externos as intenções do concedente; e agora, mais um contrato, exatamente do tipo que gosto, que é de ajudar uma mudança e logo ir embora, deixando apenas as raízes da boa convivência e o resultado que o cliente realmente esperava.

Mas, contabilizados os créditos recebidos, e aqueles concedidos, vejo que novamente estou em um gigantesco sistema de conta corrente; onde minha racionalidade me mostra que estou em débito, pois tenho recebido mais do que tenho concedido; o que me leva a pensar que sou premiado; mas que devo continuar tentando alterar esta situação, este desequilíbrio lembrando que somente tenho o direito de relatar o que recebi, ficando impedido de relatar o que concedi.

Walmir da Rocha Melges em 22 de novembro de 2006 em uma Carta à um amigo.

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