DICOTOMIA POLÍTICA: PARLAMENTO X O POVO

Para entender de forma correta os acontecimentos políticos atuais devemos ter a consciência de que não estamos tratando com um só assunto, qual seja a infidelidade do legislador que elegemos, o qual opera contra os nossos interesses.

Vejo todos desesperados e revoltados com as decisões que nestes dias turbulentos de 2016 nos estão sendo impostas pelo Parlamento Brasileiro, e é claro que me incluo dentre os inconformados, porém devemos levar em consideração que este absurdo é totalmente legal e está amparado pelo atual Constituição, a qual não previu nem regulou a dicotomia que seria gerada pela sua falta de regulamento.

É falha e irreal a pretensão de que aqueles que nós elegemos sejam os nossos fiéis representantes, pois uma coisa é a nossa concessão do mandato, ou seja, a conjugação por parte do povo, do verbo ELEGER, e outra coisa é a ação daqueles eleitos, os quais, legislando segundo as suas intenções, seus princípios, suas índoles, suas morais, segundo a forma como individualmente e pessoalmente veem e interpretam o mundo, terminam legislando, decidindo, segundo os interesses pessoais ou dos seus partidos, cumprindo assim, o que eu tenho dito há muito tempo, uma perfeita Ética da Conveniência.

Assim, vivemos em regime democrático, sob a égide da nossa Constituição, a qual preconiza princípios importantes, como o direito de ir e vir, o direito de escolhermos os nossos representantes perante os governos [municipal, estadual e federal], o direito de que os eleitos exerçam suas atividades de representantes do povo, com todas as benesses, regalias e vantagens que esta representação pode significar, porém nossa Constituição, escrita pelos nossos representantes, agindo em nome do povo, esqueceu-se de regular o ponto nevrálgico, mais importante, desta questão de representação, que é a fidelidade ao povo.

É um interessante paradoxo aquilo que estamos vivendo neste momento em que vemos a sociedade, ou seja, o povo, sedento de um saneamento governamental que afaste a corrupção e tudo nela implicado, e que possa redundar na aplicação correta dos recursos arrecadados dele [do povo], veja então [o povo] que toda a sua manifestação de vontade popular [do povo], surgida dos mais variados segmentos da população, desde os mais ricos aos mais pobres, em todas as classes sociais; crie um vontade popular que não seja ouvida, não seja respeitada, que é inclusive atropela, ignorada.

Sucumbe então a sociedade, os eleitores, tanto lá no passado distante e no perto, quanto na atualidade, certamente quanto no futuro, em proveito do interesse de poucos.

Já constatamos há poucos dias que os norte-americanos, povo dito mais evoluído que o nosso, democráticos também como o nosso, sofrem de uma dicotomia na qual a sua Constituição, dita e tida como imutável e perfeita, permite a existência de um mal no qual não ganha o majoritário que auferir mais votos populares, mas sim, o majoritário que conseguir maior quantidade de representantes.

Até parece aquele mesmo sistema medieval onde o povo possuía os seus ELEITORES, os quais, segundo a história nos demonstra, após eleitos, cumpriam o sem mandado segundo a sua vontade e interesse pessoal, familiar; ou grupal.

Muito embora fosse desejado, o assunto não pode ter uma conclusão, a qual somente poderá surgir a partir da reflexão individual de cada um que tocar-se pela música do momento tocada no gramofone do parlamento nacional, teatro e palco de grandes peças teatrais, cantatas, tocatas, e por vezes verdadeiros aforismos tergiversativos.

Walmir da Rocha Melges – 30 de novembro de 2016

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