MINHA CIDADE IDEAL

Walmir da Rocha Melges – 17 de janeiro de 2014

Escrevinhei este artigo por dois motivos, primeiro pelo fato de que eu, tal qual os demais cidadãos deste país, gostaríamos de residir na “nossa cidade ideal” e o segundo, por perceber o qual este ideal é almejado por todos,a ponto de influenciar comportamentos, pensamentos e publicações.

Percebi na linha de tempo da minha vida de cidadão que a “minha cidade ideal”, tal qual idealizada pelos antigos pensadores, os quais influenciaram o meu pensar de mero estudioso e observador e deram forma àquilo que eu gostaria de ter na cidade na qual resido, é mero anseio, pífio sonho, e representa apenas uma quimera que povoa o ideário impossível popular.

Percebi também, que a sociedade perdeu o controle de si mesma, e isto se comprova pelas notícias que vemos minutadamente sobre o que ocorre no mundo, e principalmente em nosso país, onde os governos possuem o poder mas se revelam incapazes de solucionarem os problemas sociais – de todos os motes – que deveriam dar segurança à sociedade e permitisse que ela se “auto regulamentasse” apenas dentro do princípio daquilo que conhecemos, aceitamos e valorizamos como sendo “o Bem”.

Penso que um está diretamente amarrado no outro, ou seja a insegurança da multiplicação astronômica da população trouxe vertentes que antes não tinham poder representativo na vida em comum e ainda não causavam tanta ameaça à sociedade a ponto de fazê-la transgredir seu próprios limites.

Neste sentido é que constato que a “minha cidade ideal” não existe, nem pode existir, uma vez que sobrepõem-se à tal ideal, que deveria ser coletivo, os ideais e principalmente os interesses individuais, os quais quando “pretensamente ameaçados” são automaticamente sufocados por serem tidos como ameaças ao “sistema vigorante”, e o curioso disto tudo é que este mesma estigma é aquele que causa segurança ao corpo humano, o qual, sabiamente, tão logo detecta a existência de vírus perniciosos que possam ameaçar a vida geral do ser humano, produzem as enzimas e os anticorpos necessários à sufocar e fazer desaparecer aquilo que foi taxado como ameaça.

Assim como a medicina atua já demonstrou que não existe “corpo totalmente são”, e que em todos existem organismos com potencial poder de risco, da mesma forma ocorre no “corpo social” ou seja na sociedade propriamente dita.

Para aumentar o poder de reflexão, também podemos encontrar tais nuances e ocorrências no “mercado”, o qual, nos meios democráticos sempre foi apresentado como detentor de uma qualidade ou condição de ser “livre mercado”, ou seja, livre de influências externas ao seu próprio meio, mas que o noticiário comunitário nos demonstra as intervenções, influências e ingerências impostas à ele – mercado – pelos seu próprios agentes, em um esforço particular, interesseiro de dominá-lo para seus próprios fins – dos agentes.

Concluindo, não importa se é o mercado, se é o governo, se é o corpo humano, em todos estes aspectos, a vida tenta e sempre tentou se regular, e como sempre, sofrendo a ação dos seus próprios agentes.

Enfim, devo aceitar que não existe, nem poderá nunca existir a “minha cidade ideal”, a qual deve permanecer, tão somente no meu e no seu ideário, como algo pretendido, tal qual aquela cenourinha de que trata o ditado popular.

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