O cosmopolita e o caipira, passando por Mr. Pickwick

O cosmopolita e o caipira, passando por Mr. Pickwick - londres - O cosmopolita e o caipira, passando por Mr. Pickwick

Tive um sócio inglês, nascido no mesmo ano e mês que eu, pessoa de personalidade marcante e bondosa, que por várias vezes me disse que eu era o único brasileiro que ele conhecia, que entendia as “piadas inglesas” e vez por outra fazia uso do estilo delas.

Um dia tivemos de ir a Londres por motivos profissionais e como sobraram alguns dias de folga em função do número de dias mínimo do nosso voo, aproveitamos para eu conhecer um pouquinho daquele lindo e gélido país, até que no terceiro dia na sétima hora saímos de Londres com destino a região onde residia a mãe dele, de onde iríamos no dia seguinte conhecer Stonehenge e outros locais históricos.

É claro que a viagem toda foi permeada de brincadeiras onde o mocinho da cidade grande estrangeira de primeiro mundo brincava e tentava tirar sarro no caipira de pequena cidade de interior de terceiros mundo, mas tudo em um excelente clima de amizade onde o caipira também pegava no pé do cosmopolita, até que em determinada hora, chegando na cidade da sua mãe ele ficou sério, estacionou o carro perto e uma esquina – um entrocamento – e disse:

Agora vou mostrar para você um local muito famoso da antiguidade, um local onde o maior escritor inglês ficou estacionado em uma estalagem, por uma semana, e nesta semana ele escreveu um livro; mas como você é brasileiro, eu sei que você nunca ouviu falar deste escritor, mas mesmo assim eu te afirmo que ele é venerado por todos como o maior escritor de nossa terra e então este local sempre é alvo de peregrinações e visitas, pois permanece ainda o mesmo prédio.

E claro que eu respondi, rapidamente para ele dizendo: conheço sua história, este escritor se chamou Charles Dickens, o livro que ele escreveu se chama Mr. PickWik, e uma edição em Português está depositada lá em casa, em Lins, no meu criado mudo, pois a comprei por estes dias em um sebo lá em São José do Rio Preto, e ainda estou lendo o livro, e aliás, li outras obras dele há muito tempo, talvez uns 20 anos atrás.

Bem, nesta altura, meu ex-sócio ficou mais sério ainda, ligou o carro e seguimos até a casa da mãe dele que por acaso fica a poucas quadras, na mesma rua onde antigamente era o caminho que ligava Londres a cidade de onde Dickens havia saído.

Walmir da Rocha Melges – 13.out.2013

Copyright © 2017 Todos os direitos reservados para WRM Auditoria e Consultoria Ltda

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?