O paradoxo da crença em anjos e demônios

Walmir da Rocha Melges – 12.out.2013

Realmente é fato curioso as pessoas, mesmo dentre as classes criadas dentro das igrejas conservadoras altamente religiosas, acreditarem na existência do demônio e não crerem na existência dos anjos, e assim, apregoam a todos a preocupação e o medo em relação ao fernandinho beira mar do bairro, da cidade e do país, demonstrando crerem na existência do mal e não aceitem de forma alguma a possibilidade da existência dos anjos que personificam o bem. Considero isto um paradoxo moderno fruto do desenvolvimento intelectual onde se primam os conceitos filosóficos materiais e deixam de lado as morais religiosas, mas como toda pessoas tem suas preferências temáticas e “temáticas” no plano futebolístico, deixemos isto de lado e nos debrucemos sobre um determinado imaginário.

Assisti ontem, depois de um extenuante dia de trabalho onde a concentração na solução de questões de dois clientes me tomou o dia todo, a uma pungente fábula moderna construída sobre a história de um lar desfeito onde o pai dedicado e rebelde em relação as convenções sociais educa brilhantemente sua pequena filha de doze anos dotada de uma formidável lucidez, determinação e admirável crença na existência dos anjos, a qual é neta de dois casais ricos e importantes na comunidade que tal qual muitos casos que conhecemos cotidianamente, deixaram, cada um, que a vida que levam, de esplendor, levasse seus filhos para lados díspares, a ponto de que aos doze anos a menina ainda não conhecia seus avós.

Trata de uma fábula contemporânea composta por todos os componentes das antigas fábulas, devidamente adaptada a nossa realidade de vida onde a realidade retratada demonstra que a persistência da garota a leva acreditar em um sonho e o poder da sua crença faz com que ela consiga derreter os corações empedernidos e reunir a família após alguns percalços dentre os quais descobre que a mãe, que havia se transformado em cantora de pequenos eventos, havia falecido em um acidente de carro, e no momento em que a família toda, já reunida pela sua persistência, despede-se da mãe, filha e nora, o anjo protetor que foi enviado por “alguém” para auxiliar a menina atravessar um estado de encontrar a mãe, despede-se dela e simplesmente esvai-se no ar.

Para ela não foi uma surpresa aquilo e na realidade os demais nem haviam percebido aquele desengonçado e feio menino de 17 anos que a acompanhou e protegeu durante todo o percurso.

É um filme leve encontrado pelo nome “Coisas do coração” e enquanto eu assistia, minha mente já ia me mostrando a relação de amigos que nunca assistiriam tal filmes, bem como aqueles que assistiriam amuados e emburrados, dentre os quais, uns poucos, aliás pouquíssimos para o meu gosto, certamente iriam acreditar, pelo menos em parte, que tudo aquilo que lá ocorreu, retratado nesta fábula moderna, tinham ráias de realidade factual.

É então um curioso paradoxo, pois como já disse, acredita-se no mal, encarnado nos “fernandinhos beiras mares da vida”, mas não se acredita em anjos, e com isto já defini meu posicionamento, minha crença e então pergunto, provocativamente, qual é a sua?

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