O sal da nossa vida

Walmir da Rocha Melges – Publicado originalmente em 13 de agosto de 2008

Percebi que, gradativamente, nos últimos anos, o velho sal de cozinha, aquele nosso inseparável companheiro, tem reduzido suas propriedades de servir como tempero aos nossos alimentos, e hoje é comum vermos as pessoas nos restaurantes utilizando 2 ou 3 saquinhos para equilibrar sua comida; e também em nossas residências tem sido comum os familiares reclamarem que a cozinheira do dia esqueceu de colocar sal no arroz, no feijão, na carne, na salada; e em seguida iniciar-se um longo debate onde um diz que colocou o normal de sempre, o suficiente para temperar; e os demais continuarem as reclamações da possível falta.
Assim, temos recomendado para muitos que façam o teste em casa e constatem que realmente houve uma perda das propriedades que poderíamos chamar de temperamentais daquele tempero que ao mesmo tempo é vital alimento; não somente dos humanos, mas também dos animais que podem ser flagrados nos brejos lambendo o barro, de onde se alimentam do sal.
Percebi também que esta queda de propriedades está registrada nos relacionamentos, e que o homem – que segundo as escrituras é o sal da terra – também tem demonstrado oferecer de menos, e exigir de mais nos seus relacionamentos, a ponto de valorizarem – desnecessariamente – os superlativos; passando a valorizar tão somente aquele ou aquilo que pode ser chamado de muito bom, ou ainda taxando de muito ruim, quando deveria referir-se somente como bom ou ruim.
Falamos então de um desgaste de propriedades temperamentais, do sal, do ser humano, da sociedade, da humanidade; e é uma estranha coincidência que isto ocorra não somente no íntimo do homem – que é onde existe o seu sal com o qual salga os seus semelhantes – mas também no nosso inseparável tempero que ao mesmo tempo é valioso alimento. Da pimenta – outro tempero – podemos realmente prescindir, porém do sal não, pois é ao mesmo tempo tempero e alimento.
Já assistimos aos órgão reguladores dos produtos a medir o comprimento dos rolos de papel higiênico para aferir se o prometido na embalagem confere com o conteúdo. Da mesma forma, certamente eles possuem “nohal” para aferir a perda das qualidades do sal de cozinha; e quem sabe, um dia eles possam desenvolver uma tecnologia que possa apontar os níveis de desgaste e necessidade nos relacionamentos humanos.

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