Querido Jequitibá

Autoria: Walmir da Rocha Melges – Publicado originalmente no Jornal A Gazeta de Santa Rita do Passa Quatro em abril de 2004

Querido Jequitibá Rosa, devemos hoje pedir desculpas; porém, para que possam produzir e circular mais riquezas em nossa querida Santa Rita do Passa Quatro (muito mais na sua Santa Rita do Passa Quatro, haja vista que você certamente é o habitante vivo mais idoso destas plagas), para que possamos ver evoluir nossa estância como um grande destino turístico brasileiro, vamos precisar de utilizar sua figura.

Com sua licença, devemos utilizar o tamanho do seu tronco, tão é, alto que os passarinhos nem se atrevem a subir até o cimo, pois sentem a tontura da altura; a respeitabilidade dos seus 3.020 anos, a espessura do seu tronco no qual cerca de 12 homens devem dar-se as mãos para poder abraçá-lo; da solidez de sua estrutura, sempre a frente da inclemência do tempo, da grandiosidade de sua copa que tantos mantém ao abrigo, e a fertilizada de seus frutos, que apesar dos anos decorridos, continuam férteis, levando novas vidas a novas plagas.

Temos certeza de que, sabendo que vamos utilizar-nos da sua fama para gerar novas riquezas para a nossa, para a sua Santa Rita, você há de concordar com nossas intenções.

Não se preocupe que não vamos levar massas desorganizadas de pessoas ao seu já pequeno jardim, não vamos fazer convites indiscriminados de “entrem”, mas sim, vamos fazer esforços para que as visitas sejam qualitativas, vamos orientá-las para respeitar o meio ambiente no qual vives, vamos organizá-los para que não estraguem as suas outras riquezas que tão bem são preservadas em seu “habitat” há milhares de anos.

Pedimos que fale aos seus amigos pássaros que cantem o mais bonito hino ao passar nossos convidados, aos seus amigos animais que mais vezes demonstrem a sua presença, sempre de longe e rapidamente, de forma que o bicho chamado homem não possam prejudicá-los; para a sua vegetação, que esteja sempre verde e produtiva em flores das mais variadas formas e cores.

Pretendemos, querido Jequitibá, trazer pessoas de qualidade para nossa cidade, pessoas que possam vir distribuir suas riquezas culturais e filosofais entre nosso povo, riquezas materiais e financeiras que possam fomentar o nosso comércio, industria e serviços; e em troca, iremos oferecer a melhor hospitalidade que seja possível.

Por favor, querido Jequitibá, ao conversar com os seus pares, com os demais pontos de interesses turísticos da nossa cidade, com aqueles que cá estão, acompanhando-o nestes 3.020 anos de idade, que incite todos em auxiliar-nos nesta tarefa de transformar nossa cidade em um dos melhores destinos do nosso estado, que cada dos seus pares venha produzir o que de melhor for na sua especialidade, seja as melhores águas e quedas, as mais maravilhosas paisagens, os encantos mais bucólicos, ou seja que cada um encante nossos visitantes ao máximo.

Acima de tudo, querido Jequitibá, “ao conversar com o Maioral”, com aquele que o tem mantido sólido e vivo no decorrer de todos estes tempos, em uma verdadeira demonstração da SUA existência, peça a ele que ilumine cada um de nós, habitantes de Santa Rita do Passa Quatro, para que possamos saber o que fazer para aproveitar as maravilhas que são detidas por você e os seus pares, os outros pontos de interesse turístico de nossa cidade.

Peça ao seu PAI, que também é o nosso PAI, que nos ilumine e oriente sobre como devemos proceder, para distribuir todas estas maravilhas que nos foram confiadas na temporalidade do mundo, entre todos aqueles que consigamos trazer para visitá-los; e acima de tudo, querido Jequitibá, diga ao Grande Pai do Mundo, que precisamos de luzes para saber como proceder, pois muito temos, muito recebemos, e, como sempre, nada sabemos de como aproveitarmos.

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