REENGENHARIA MODIFICA CONCEITOS DE COLETA E FORNECIMENTO DE INFORMAÇÃO

Logo após a publicação de meu primeiro artigo a respeito da reengenharia em 1993, fui assediado por muitos telefonemas e interpelações de amigos a respeito do assunto; alguns perguntando o significado do real título, outros se eu estava mudando de profissão ou se havia participado de algum seminário de engenharia; e outros solicitando maiores informações e exemplos a respeito do tema, quando então verifiquei ser conveniente a divulgação de exemplos que viessem retratar o real significado do mais novo conceito na arte de administrar e realizar as coisas; ou seja, a reengenharia, e é o que pretendo fazer neste artigo.

Assistimos, no carnaval (1994), a inauguração de uma poderosa ferramenta de comunicação, através da inclusão na TV Globo, da oportunidade do telespectador participar ao vivo com sua opinião a respeito dos assuntos que estejam sendo levados ao ar.

Note-se que tal ferramenta começou a ser utilizada nos programas conhecidos como “Você decide”, embora ainda utilizando uma tecnologia mais modesta que a colocada em prática agora.

Decididamente, a partir dos dias atuais, cada vez mais você poderá participar em tempo real dos programas de TV, interagindo com inúmeros outros telespectadores de todas as partes do nosso Brasil. E tudo isto, graças a reengenharia aplicada nos meios de comunicação de massa, pois se ontem os órgãos de pesquisa corriam o país todo a procura da opinião dos cidadãos, no futuro, através de coletores de informações que com toda certeza já estão sendo distribuídos nos pontos estratégicos, poderemos receber a manifestação da opinião pública e também participar dela instantaneamente aos fatos ou a divulgação de cada reportagem.

Imagine então quanto tempo, materiais, recursos humanos e financeiros os órgãos de pesquisa não estão economizando ao utilizarem-se da nova tecnologia! Isto é reengenharia, ou seja, conseguir melhores resultados com menores custos financeiros e em tempo real, modificando os conceitos de coleta e fornecimento da informação.

A telefonia celular veio modificar definitivamente o antigo conceito de que, para se conversar com alguém a distância era necessária uma linha física ligando os dois pontos; haja vista que agora a ligação entre os dois aparelhos telefônicos é mera onda de rádio controlada por satélites e pesado equipamento eletrônico.

Também isto é reengenharia aplicada, que concede ao cidadão a oportunidade de falar com o mundo de qualquer local onde esteja, com perfeição e nitidez, em tempo real com suas necessidades.

Alguém se lembra do tempo em que para pagar uma duplicata ou conta de luz, ou mesmo sacar um cheque no balcão dos bancos, devia em primeiro lugar dirigir-se a um balcão onde entregava o documento e recebia uma ficha ou senha para ser chamado ao caixa?

Pois naquela época, o caixa somente pagava e recebia, após cada documento passar por vários funcionários passar por outros funcionários, quando então era lançado nos registros, calculados valores e recebido vários carimbos que atestavam sua autenticidade.

E quem se lembra do momento em que ficou conhecendo o primeiro caixa executivo em algum banco? qual não foi o seu espanto ao descobrir que uma só pessoa passou a fazer todo o trabalho que antes eram necessários vários? e não foi um espanto ainda maior, descobrir que a mudança havia diminuído o tempo de espera do cliente para cumprir sua tarefa naquele local e ir embora?

Se você passou por todas estas mudanças, por certo também ficou assombrado quando apareceu o tal de computador, onde o caixa já informava se o cheque tinha ou não fundos e ao mesmo tempo que lhe pagava o resgate ou devolvia o recibo de depósito, também lhe informava que o dinheiro havia sido instantaneamente registrado a débito ou a crédito de sua conta corrente.

Pois bem, tudo isto foi obra da reengenharia da época, ou seja, executar o mesmo trabalho com mais eficiência, rapidez e economia, por meio da aplicação de um outro método de trabalho, totalmente diverso do anterior; haja vista que a reengenharia não é mero aperfeiçoamento de uma mesma tarefa, mas sim é conseguir melhores resultados com a adoção de novas formas de trabalho e comportamento.

Realmente a reengenharia se integrou a conjuntura brasileira, e não vem sendo ensaiada somente pelas entidades privadas, pois já existem vários movimentos sendo executados nesse sentido também pelas empresas públicas e órgãos governamentais que o leitor mais acurado dos noticiários econômicos e fiscais certamente já percebeu.

Os vários órgãos de fiscalizações do país também se movimentaram e iniciaram a implantação de planos e programas visando a conseguir aumentar a arrecadação e coibir a sonegação fiscal, proporcionando com isso melhores resultados para os cofres públicos.

No afã de conseguir tal intento, proporcionaram novos cursos, seminários e palestras aos fiscais, não somente em nível nacional, mas também enviaram seus melhores homens para o exterior em busca de novas formas de executar a tarefa de arrecadar que está sendo praticada pelos países considerados do primeiro mundo, de forma que no futuro possam proporcionar aos quadros de fiscalização novos conhecimentos e a reciclagem necessária.

Tudo isto é um esforço de reengenharia, pois buscam novas formas de fazer as mesmas tarefas com menor esforço e maiores resultados, o que, no contexto fiscal, somente poderão conseguir, modificando os seus padrões de comportamento na realização de suas tarefas.

Alguns órgãos já vêm há anos formando uma grande base de informações a respeito de seus contribuintes, acumulando dados que comprovam desde construções iniciadas, veículos adquiridos na rede de revendedores, viagens ao exterior, aplicações financeiras em fundos de investimento, compra de ações em bolsa, de títulos de clubes recreativos, de barcos, lanchas e outros produtos náuticos, aviões, abertura, encerramento e venda de empresas, etc.

A própria Receita Federal está terminando de construir sua base de dados e iniciando uma nova fase de manuseio de dados e nova fase de fiscalização, que propiciará ao fiscal chegar até o contribuinte com todos os dados necessários a lavratura de um auto de infração em mãos; sendo que tal será possível somente graças a um grande esforço de reengenharia fiscal, que foi denominado de inteligência fiscal, qual seja a formação de um grupo de trabalho que se utiliza de métodos heterodoxos na coleta de informações sem sair do próprio ambiente de trabalho.

Note-se que o próprio Serpro já centraliza um número alto de informações dos indivíduos, as quais são cruzadas com as declarações de rendimentos do declarante e outras fontes externas, dando assim um novo formato a fiscalização das pessoas físicas.

Falando de pessoas físicas, a própria adoção do disquete para elaboração das declarações de bens e rendimentos já foi um grande esforço de reengenharia que bons frutos proporcionou a Receita Federal, haja vista a economia de formulários nos anos posteriores e o processamento que teve sua operacionalização altamente alavancada, fazendo com que o custo da digitação dos dados fosse drasticamente reduzido e a análise dos resultados fosse antecipada em meses.

Walmir da Rocha Melges – Publicado no Jornal “DCI – Diário

Comércio & Indústria” em 23 de março de 1994.

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