Reflexologia e tergiversação

Walmir da Rocha Melges – Publicado originalmente em 21 de fevereiro de 2008

Um dia Thomaz percebeu depois de participar de uma pantomímica reunião da qual participaram várias pessoas, divididos em pelo menos 3 grupos de interesse distintos, que estava na hora de discorrer sobre seus pensamentos em relação a reflexologia e tergiversação, que são algumas das facetas comportamentais.

Convém situar que a reflexão proposta é fruto da observação diuturna dos comportamentos ao longo de uma vida que já completou pelo menos 40 anos no corporativismo empresarial e no convívio social, sendo uma opinião descontaminada de fatos isolados, e apenas diante da luz dos acontecimentos vivenciados.

Estudando a história do mundo ao cursar a universidade de vida, Thomaz percebeu que a reflexologia e a tergiversação andam de mãos dadas ao longo dos tempos; desde os magos e quiromantes da antiguidade – que utilizavam os seus conhecimentos para iludir e contornar – até os dias atuais.

A referência aos magos que viviam da exploração da boa fé das pessoas é específica e pontual, indicando tão somente aqueles que sobreviviam da exploração do próximo, ocupando cargos diversos, tais como os chamados gurus – em suas derivações e denominações especiais – tal como os oráculos miraculosos; da mesma forma os governantes déspotas e os que se escondiam detrás de outras denominações, mas que viviam da exploração da boa fé, do desconhecimento, da ingenuidade e da fragilidade dos povos.

Como a palavra tergiversação não implica na necessidade de explicação, vejo-me obrigado a melhor explicar o uso da palavra reflexologia, que segundo o Dicionário Houais, é a doutrina segundo a qual todo fenômeno psíquico pode ser explicado em função de reflexos e combinações de reflexos, especialmente os condicionados.

Pois bem, no nosso caso, reconhecemos também ele – fenômeno – como condicionado exatamente por surgir diante de uma situação já tipificada de perigo para o reflexor – palavra nova que utilizamos para denominar aquele que pratica a reflexologia.

Damos como exemplo de um antigo filho pródigo (não o da Bíblia Sagrada), que tantos problemas deu para sua rica família, dilapidando tudo que lhe vinha as mãos, sempre fugindo das suas responsabilidades, quando respondia com subjetivismo os fatos objetivos do seu maléfico comportamento que a família lhe mostrava todas as vezes que era necessária a repreensão dos seus atos reprováveis.

Um belo dia estava a família a beira do caixão onde o patriarca daquela família iniciava o seu último repouso terreno, quando o preocupado advogado, responsável pelo de cujus por manter e cumprir o testamento, vendo que todos os herdeiros estavam presentes, e por saber que aquela era uma família essencialmente materialista; decidiu informar todos que o testamento havia sido modificado nos últimos tempos, e que ele seria lido logo após o retorno do cemitério, convidando então para que estivessem presentes todos os interessados e amigos.

Naquele exato momento, o filho pródigo que já estava fazendo suas contas, lembrando-se repentinamente de algo que havia ouvido do seu querido pai mantenedor quando da última conversa sobre comportamento responsável (que poderia desertá-lo se não parasse com as suas maluquices), logo disparou, mesmo diante da objetividade do falecimento do pai que lá jazia no seu caixão a vista de todos um comentário subjetivo dizendo: E se ele ainda não morreu? Cumpriu-se então naquele momento uma magnífico exemplo de reflexologia.

Pretendeu o filho pródigo nesta tergiversação, criar um fato novo que visse impedir a abertura do testamento, mesmo diante da comprovação fática e do fato inexorável que representava o falecido, que ali jazia, naquela quente manhã de verão, desde a manhã anterior.

Assim é o comportamento da reflexologia aplicada na arte dos negócios. Diante de um fato objetivo, de documentos indiscutíveis, vendo-se ameaçado, o reflexor joga uma questão subjetiva e em seguida demora-se em cuidadosos e articulados argumentos tergiversativos onde pretende omitir-se da sua responsabilidade.

Dizem os historiadores que na Roma antiga, lá na época de Cícero, o povo vivia de pão e circo.

Ora eram enganados com o pão subjetivo que os distraia do objetivismo que era a exploração do menor pelo maior, ora era o circo que os inebriava para fazê-los esquecer; onde os reflexores eram movidos pela ética da conveniência do mais forte; e assim o foi no maior julgamento da história, quando Pôncio Pilatos não vendo culpa em Jesus, mas também não querendo ficar mal com os romanos, lavou as mãos convenientemente, deixando a irresponsabilidade para os maiorais dos judeus.

Era, naquele momento, conveniente para Pilatos, pois a decisão inaudita, controvertida e errônea daqueles maiorais judeus era, sem margem de dúvida, de grande utilidade para os romanos, os quais viam com desagrado o aumento do descontentamento do povo, que tentava desligar-se da materialidade imposta por Roma, cuidando de desenvolver-se espiritualmente seguindo as boas novas trazidas pelo Salvador.

E assim, Thomaz passou a sua vida toda assistindo comportamentos iguais, norteados pela mais pura tergiversação quando profissionais, esgotados todos os seus argumentos, tentam criar fatos novos lançando o que pretendem ser novas verdades, calcados tão somente no subjetivismo, que somente poderá dobrar ou convencer aqueles que não têm o entendimento real dos assuntos tratados.

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