Vocação para o turismo – Santa Rita do Passa Quatro – SP

Autoria: Walmir da Rocha Melges – Republicado em janeiro de 2012 no Jornal A Gazeta de Santa Rita do Passa Quatro (SP)

Continuamos a ouvir muito a respeito do turismo na nossa cidade (apenas ouvir, muito embora tenham passado 8 anos), e apesar de que à primeira vista o turismo possa parecer uma fácil solução para o desenvolvimento comunitário, a tarefa não é nada fácil, pois existe hoje um grande contingente de comunidades buscando arregimentar os turistas (durante estes anos, desde 2003, fui conhecer uma dezena deles, principalmente os que são reconhecidos pelo Governo Estadual como DESTINO TURÍSTICO, coisa que nossa cidade não o é).

Publicado originalmente em setembro de 2003 – Jornal A Gazeta de Santa Rita do Passa Quatro (SP):

Muito temos ouvido a respeito do turismo na nossa cidade, e apesar de que a primeira vista o turismo possa parecer uma fácil solução para o desenvolvimento comunitário, a tarefa não é nada fácil, pois existem hoje um grande contingente de comunidades buscando arregimentar os turistas para gastarem os seus, hoje parcos numerários, em seu comércio, indústria e nos meios de hospedagem; e assim aumenta o esforço despendido por cada comunidade em destacar-se das demais, em dourar-se como a melhor alternativa aos olhos do turista em potencial.

Imaginem então os esforços que deve encetar uma pequena cidade de interior. O que deve ela fazer para alcançar o status de “preferida” pelas multidões de turistas? Quais são as perguntas que devem ser elaboradas e respondidas por todos os interessados em que o turismo seja a sua principal fonte de receita? Concluímos então, que, a única forma de alcançar o almejado status de “preferida” é profissionalizar-se, da mesma forma que se profissionaliza qualquer outro empreendimento.

Então o turismo municipal deve ser encarado, por todos, como um negócio; e quando falamos por todos, estamos referindo não somente ao Poder Público, que deve desenvolver ações sociais de incentivo, fomento, e conceituais; referimos também as empresas que devem preparar-se, profissionalizando os seus quadros de funcionários, adotando novas técnicas de gestão, assimilando novas tecnologias, investindo em compra de maquinários, renovação de equipamentos e construções, e também aos munícipes que devem preparar-se do ponto de vista conceitual para bem receber, servir e orientar o turista.

Deve ser elaborado então um plano estratégico municipal de forma global, que antes de ser discutido, deve responder com precisão qual é a vocação daquela comunidade. Tomando um caso concreto como exemplo, podemos dizer que a vocação da cidade de Tambaú no Estado de São Paulo, e sua coirmã Lunardelli, no interior do Paraná, é o Turismo Religioso, ou seja, a economia de uma é movimentada pela fé que os peregrinos tem no lendário Padre Donizetti, e da outra, novamente a fé, que depositam no Santuário de Santa Rita de Cássia.

Em ambos os casos, o que as cidades vendem é algo de difícil definição, é um bem imaterial e intangível, que não tem cheiro, nem forma, nem peso, nem gosto; muito menos registro em cartório; mas a realidade é que esta fé movimenta a economia de ambas as cidades, gerando novas riquezas e segundo pudemos aprender dos livros de história e da prática do dia a dia, as comunidades somente evoluem se houver produção de novas riquezas em quantidade suficiente para suprir as necessidades sociais, econômicas e individuais daquela determinada comunidade.

Deixemos então no ar a grande questão: Qual é então a vocação de Santa Rita do Passa Quatro, indagação esta que os mais apressados irão responder “o turismo”, e que seguindo as linhas da vida logo levará a outra questão: “qual tipo de turismo então”; mas, como a indagação é de difícil resposta, deixemos de lado por uns instantes, e vamos fazer um inventário do que temos a disposição para nos auxiliar na resposta:

Podemos constatar que já temos um bom perfil, haja vista os atrativos existentes, tais como as cachoeiras de Três Quedas e São Valentin, o Deserto do Alemão, o Cristo Redentor que vela sobre todo um gigantesco vale, o Parque Estadual do Vassununga onde seu milenar Jequitibá Rosa impero solitário; as festas típicas; os feriados prolongados, as faculdades que nos procuram para realizar suas competições, as diversas comunidades de esportistas que frequentam nossas ruas; a predisposição positiva do nosso povo em bem receber os turistas, enfim, façamos uma grande lista de todos os pontos que “contam pontos” a favor do turismo; e em seguida façamos nossa pequena reflexão, que certamente não esgota o assunto, mas poderá servir de aperitivo para maiores discussões:

1-      Quem é o nosso público atual?

2-      Ele se hospeda o suficiente para gozar de todas nossas delícias?

3-      Ele gasta o suficiente nas lojas comerciais e industriais da cidade?

4-      De onde ele vem?

5-      Qual é o seu poder aquisitivo?

6-      Nós já o cadastramos em nossas lojas, ou em um banco de dados municipal, para poder enviar cartão de Feliz Aniversário, ou mesmo avisá-lo dos futuros eventos?

7-      Qual é a idade média dos nossos visitantes?

Partindo das informações da primeira questão, passemos a descobrir então quem é o nosso público alvo, ou seja, aquele que vai ficar o maior número de dias hospedado entre nós, consumir o maior número de roteiros turísticos e gastar a maior quantidade de reais em nossas lojas.

  1. Nós temos uma agenda de eventos municipais?
  2. Estamos divulgando-a de forma correta?
  3. Temos serviços de divulgação de informação centralizada aos turistas?
  4. Temos guias turísticos a disposição dos visitantes?
  5. Temos folder, apresentações e panfletos que possam ser distribuídos aos visitantes, ou mesmo enviados a potenciais visitantes?
  6. Temos parcerias estratégicas entre as empresas da cidade que possam ser utilizadas de forma real e positiva em favor do fomento do turismo?
  7. Temos eventos oficiais de recepção formal aos visitantes no início dos períodos de verão, onde possamos convidar pessoas e realizar celebrações especiais?
  8. Quantas cidades que vivem casos de sucesso em turismo nós já conhecemos; e, se conhecemos, quantos somos nós que conhecemos?

Respondidas estas pequenas questões, e sendo certo que a questão PORQUE não necessita de resposta – já está respondida – poderemos elaborar um planejamento estratégico, que para não ficar diferente do primeiro questionamento, também deverá ser cumprido após novas questões que esclareçam: QUAL a nossa vocação, ou seja, que tipo de turismo vamos buscar; QUEM irá coordenar o planejamento? O QUE será feito? QUANDO será feito? e o mais importante COMO será feito?

Discutidas estas questões, as maiores quantidades de respostas que serão oferecidas referem-se as questões: porque, qual, que e quando; e chegando a QUEM a respostas começarão a diminuir, o mesmo acontecendo com a resposta a COMO será feito.

São nestas questões então que os arquitetos da mudança municipal, os pensadores e os maiores interessados devem concentrar toda sua atenção, pois são estas respostas que irão viabilizar qualquer mudança e o sucesso de qualquer tentativa de conseguir que a cidade seja eleita como a “preferida dos turistas”.

Walmir da Rocha Melges (54) walmir@gloria.tur.br

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